Prescient Newspaper Publico predicts problems in Alta (1994)
20 04 2008The last line is priceless.
Cidade prolongada até quase às Galinheiras
Lisboa ganha 3,5 quilómetros
A futura urbanização do Alto do Lumiar deverá permitir o prolongamento do eixo histórico de Lisboa, desde o Campo Grande até às proximidades das Galinheiras, numa extensão de 3,5 quilómetros. Planeada no tempo de Kruz Abecasis, a ocupação dos 300 hectares abrangidos por esta intervenção foi depois objecto de uma profunda revisão por parte da equipa de Jorge Sampaio. É esse trabalho que está agora em fase de conclusão e que deverá ser presente à Câmara no decurso do próximo mês.
Na versão herdada de Abecasis, o Alto do Lumiar deveria receber mais de 60 mil habitantes, em 21 mil fogos, e teria uns 15 por cento de área ocupada por serviços. Para os actuais responsáveis municipais, o plano original configurava claramente uma urbanização/dormitório. «O conjunto ficava isolado da cidade e não fazia sentido urbanístico», sintetiza Fonseca Ferreira, o actual número um do planeamento municipal.
Logo no primeiro mandato de Sampaio, foi decidido rever todo o plano anteriormente negociado entre a Câmara e a Sociedade Gestora do Alto do Lumiar, uma empresa criada por algumas das maiores empresas de construção civil portuguesa, que acordou com Kruz Abecasis, há quase uma década, as condições gerais daquele prolongamento da capital.
«O objectivo é integrar o Alto do Lumiar na cidade, em termos de acessibilidades e em termos sociais. Queremos dar condições de vida e de cidade àquela zona, criando novas centralidades», continua Fonseca Ferreira.
Para isso foi solicitado à SGAL que aumentasse para 25 por cento a área ocupada pelos serviços, permitindo assim o aumento do emprego, em detrimento da habitação, que descerá para 40 a 50 mil pessoas. Simultaneamente, apostou-se na ideia de transformar a urbanização numa autêntica extensão da cidade, prolongando o seu eixo histórico até à zona do Forte da Ameixoeira, no topo norte do novo bairro.
Quanto à estrutura urbana do plano inicial, abandonou-se o conceito de núcleos ou ilhas em que ele estava organizado, em benefício da quadrícula que caracteriza as Avenidas Novas.
Com estas directrizes, a equipa da SGAL, coordenada pelo arquitecto Eduardo Leira, e em estreita colaboração com os serviços camarários, procedeu à revisão geral do plano, que está agora em vias de conclusão.
Nos termos da proposta negociada entre os projectistas e a Câmara, a ligação da cidade ao Alto do Lumiar far-se-á através de uma nova avenida, que nascerá no cruzamento da Avenida do Brasil com o Campo Grande e que conduzirá, por trás do quartel do Campo Grande, a uma gigantesca rotunda, a construir em cima da Segunda Circular, por trás do Júlio de Matos. Nessa zona será erguida a futura central de camionagem da Rua das Murtas, que substituirá o terminal da Casal Ribeiro e que terá ligação directa à estação de metropolitano de Calvanas, a construir no local. A rotunda da Segunda Circular terá uma dimensão invulgar e será organizada em três níveis: um de superfície, para distribuir o trânsito que circula pelo eixo histórico, e dois nos níveis inferiores, para o trânsito da Segunda Circular e para os veículos oriundos da Av. Santos e Castro (antiga Estrada das Amoreiras, nas traseiras do aeroporto).
Uma alameda com 70 metros de largura
Desta rotunda para norte, e sempre a subir, seguirá a Alameda Central do Alto do Lumiar, uma via que constituirá o tal prolongamento do eixo histórico e que terá o seu termo numa outra grande rotunda a construir num dos nós da Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL), não muito longe do Forte da Ameixoeira. A alameda terá uma largura de 70 metros, com pelo menos três vias em cada sentido, e contará com duas rotundas intermédias. Da primeira sairá uma avenida em direcção à Alameda das Linhas de Torres e a segunda deverá ser construída em cima dos largos do Médico e das Peneireiras.
Quanto à avenida que ligará à Alameda das Linhas de Torres, o plano inicial dos espanhóis previa um viaduto a atravessar a Quinta das Conchas e a Quinta dos Lilazes, dois parques municipais que serão preservados e que separam a Alameda dos bairros degradados da Musgueira. Face à oposição camarária, chegou-se a um acordo que prevê uma via ao nível do parque e com acesso pedonal a partir das áreas urbanas adjacentes. A integridade deste espaço verde não deixará, contudo, de ser afectada, na medida em que o arruamento em questão terá 31 metros de largo, duas vias em cada sentido, separador central, estacionamento em espinha e passeios.
O conjunto da rede viária desenhada para a urbanização tem estado a ser sujeito a alguns acertos, uma vez que acarretava a realização de volumosos aterros e desaterros, tendo a Câmara optado por uma solução «mais agarrada ao terreno».
Visto que a Alameda Central termina num nó da CRIL, um dos aspectos que tem estado a ser reformulado é o da articulação dessas duas vias, por forma a desencorajar a entrada na cidade através da alameda. A alternativa residirá na Av. Santos e Castro, que delimita a urbanização ao longo da vedação do aeroporto e que desemboca na grande rotunda da Segunda Circular.
Com a revisão do plano praticamente concluída, resta saber quando é que o sonho se tornará realidade. É que se ninguém critica o negócio feito entre Abecasis e a SGAL — que deverá ceder à autarquia 4500 fogos para realojamento das barracas a demolir na zona, como contrapartida dos terrenos em que vai construir –, muitos são os que lhe apontam uma falha grave: não impõe qualquer espécie de prazo para a construção do Alto do Lumiar. A.H./J.A.C.
Publico 19- 06 - 1994 via QueXting project
Categories : Alta de Lisboa, Av Santos e Castro, CML, Lisbon, SGAL, Urbanization, cities







